Santa Catarina tem mais famílias com dívidas e, ao mesmo tempo, menos famílias atrasando o pagamento delas. É o que mostra a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor de agosto, feita pela Fecomércio SC. O levantamento apontou que 78,4% dos lares catarinenses tinham alguma dívida a vencer no período, um avanço de 1,5 ponto percentual sobre julho e de 6,9 pontos na comparação com agosto do ano passado.
O movimento na outra ponta foi oposto. A parcela de famílias com contas em atraso caiu para 22,2%, recuo de 1,4 ponto percentual em um mês. O número mantém Santa Catarina bem abaixo da média nacional, que ficou em 29,9%. A fatia dos que declaram não ter condições de quitar o que devem também diminuiu e ficou em 8,7%.
Mais crédito na praça, contas em dia
A combinação diz algo sobre o momento do consumo no estado. Endividamento alto não significa necessariamente aperto. Ele indica que mais gente está usando crédito, seja no cartão, no carnê ou no financiamento. O sinal de alerta aparece quando esse crédito vira atraso, e é justamente esse indicador que está cedendo em Santa Catarina.
O cartão de crédito segue como a principal porta de entrada do endividamento catarinense, padrão que se repete há anos no país. Em média, as famílias do estado comprometem 29,9% da renda com o pagamento de dívidas. Entre quem está inadimplente, o atraso médio é de 63,9 dias, pouco mais de dois meses.
O que a pesquisa mede
A Peic é aplicada mensalmente e considera como endividada qualquer família que tenha contas a vencer no cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, prestação de carro ou de casa. Por esse critério, quem paga a fatura do cartão em dia todo mês também entra na conta. Por isso o percentual de endividados costuma ser alto mesmo em períodos de economia aquecida.
Para o comércio catarinense, o número que importa mais é o do atraso. Famílias endividadas continuam comprando. Famílias inadimplentes saem do mercado, perdem acesso a crédito novo e demoram a voltar. A queda registrada em agosto sugere fôlego para o varejo no segundo semestre, período que concentra Black Friday, décimo terceiro e vendas de fim de ano.
